resenha: mesmo delivery – grampá

12 outubro 2008 9 comentários

capa de Mesmo Delivery

Com grande prazer tenho em mãos Mesmo Delivery, primeira Graphic Novel solo da carreira de Rafael Grampá, primeira de muitas, assim espero.

R. Grampá esta na batuta desde pequeno () e este ano foi consagrado, surpreendentemente (), com o prêmio máximo dos quadrinhos, o Eisner Awards 2008 na categoria antologia (), para a revista independente chamada 5, fruto da união com Becky Coonan, Gabriel Bá, Fábio Moon e Vasilis Lolos. Possuidor de um traço extremamente detalhista e inebriante (), esta trabalhando como designer de produção para um filme baseado na Graphic Novel O Dobro de 5 de Lourenço Mutarelli, mesmo autor de O Cheiro do Ralo (ou seja, vem coisa boa por ai).

Mesmo Delivery (MD) é basicamente um quadrinho carregado de violência, com muita referências cult, que segundo o autor, foi baseado nas obras do cineasta italiano Sérgio Leone e longa-metragens japoneses da década de 70 (fontes que Quentin Tarantino já bebeu muitas e muitas vezes), tudo permeado com momentos/experiências de sua infância.

A narrativa tem como foco a linguagem visual, deixando os recursos textuais no limiar do essencial, o que não prejudica nada a compreensão da história. O produto gerado é rico em experimentalismo visual, muitas seqüências de quadros (à lá storyboard) e apesar da história não ser tão inovadora, o resultado final é um paradoxo de surpresas, recheadas de perguntas: “Como uma história não inovadora pode surpreender?”, “Como pode algo não inovador deixar um gosto de quero mais no final?”. MD oferece exatamente esse gosto no final, um gosto prazeroso de quero mais e um pesar de já ter acabado a viagem no mundo imaginário criado pelo autor, uma obra-prima.

Outro ponto forte que não posso deixar de ressaltar na obra é a carga dramática que cada personagem possui na história, mesmo que esta seja narrada com poucas palavras, a momentos que somos capturados pela história e participamos do diálogo torcendo por um personagem A ou B. Este é, sem dúvida alguma, um golaço marcado pelo diálogo formado entre o leitor e o HQ através de uma leitura focada excessivamente no visual.

Para finalizar, em entrevista recente () Grampá confirmou a venda dos direitos de MD para o produtor Rodrigo Teixeira (mesmo de O Cheiro do Ralo), prometendo ser uma adaptação que continuará com a história do quadrinho, é esperar para ver. Vida longa ao quadrinho nacional!!!! :)

Abraço a todos … t+,
raulpereira.

ao som de: “Deathrider” – Anthrax

Categoriascultura, quadrinhos, resenha

resenha: zeitgeist – peter joseph


zeitgeistZeitgeist é o título de um intrigante documentário produzido por Peter Joseph, que foi lançado primeiramente na web em Jun/2007 e em Nov/2007 saiu a versão remasterizada. Vale ressaltar que todas as versões podem ser baixadas ou assistidas na internet gratuitamente, tendo inclusive versões com legenda, vide site oficial.

O Espírito De Uma Era,  tradução literal do termo alemão que dá título ao documentário, em suma significa: “o nível de avanço intelectual e cultural do mundo em uma época”. Este termo serve de base para que Peter Joseph delineie toda a trama em cima de três partes durante 2hs de produção, são elas:

Parte I: A Maior Estória Já Contada – aqui é exibido uma pesquisa sobre a religião versus o mundo, mostrando o ponto de partida da religião, antes mesmo de surgir o cristianismo. Fazendo ligações do cristianismo com as religiões que antecederam-no, dando um foco especial para os astros e evidenciando o fato do Sol ser na verdade o grande Deus de todas as civilizações/religiões.

Parte II: O Mundo Inteiro É Um Palco – após o primeiro ato, o foco aqui passa a ser o fatídico 11/Set, mais um documentário que põe em dúvida todos os fatos ocorridos naquele dia, ou seja, põe em dúvida o governo dos Estados Unidos. De forma geral este trecho do documentário não apresenta nada de novo, mas a forma como é apresentado é um diferencial a parte.

Parte III: Não Se Preocupe Com Os Homens Atrás Da Cortina – esmiuçado o 11/Set, agora o holofote é focado no sistema bancário mundial, tecendo assim toda teia que pretendia expor, ligando a religião, o 11/Set e as diversas guerras/conflitos mundiais como eventos que provocaram muitos lucros para certos homens atrás da cortina. Profetiza alguns fatos que irão acontecer com o consentimento da população em prol desses poucos que sempre estão manipulando a humanidade.

O documentário é em alguns momentos extremamente teórico, conseqüentemente, tornasse maçante e nada atrativo, mas persista até o final, pois de alguma maneira tirará proveito de muitas assuntos apresentados, nem que seja apenas para discutir em uma roda de amigos sobre mais uma teoria da conspiração. O saldo final é positivo, recomendo que assistam, reflitam e para incentivá-los, segue logo abaixo o filme na íntegra com legenda português brasil (pt_BR).

Abraço a todos … t+,
raulpereira.

ao som de: “A Small Victory” – Faith No More

ps.: Valeu pela indicação mister aldo nogueira, []‘s.

Até logo camarada…

13 outubro 2007 2 comentários

homenagem à Raphael Rigino

Categoriasgnome, gnu, i18n, linux, nerd, tributo

CPMF … vai acabar??

28 julho 2007 8 comentários

Xô CPMFApesar de não acreditar na força que um abaixo-assinado on-line possui, acredito que é um bom meio para colocar assuntos em discussão. E o assunto que venho colocar em pauta é o polêmico CPMF, contribuição que nasceu provisório e continua vigorando a 10 anos em nossas movimentações financeiras.

Com o final ou a prorrogação eminente para dezembro deste ano, o que esta surgindo neste período são “entidades” provendo meios para fazer o povo ter voz. Um desses meios é a campanha Xô CPMF, criado pelo deputado Paulo Bornhausen em meados de março deste ano, o outro meio é um manifesto Sou Contra o CPMF, criado pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) em maio. Mas enfim, …

“… quem sou eu pra dizer que você deve participar ou não destes abaixo-assinados, certo?”

Meu desejo aqui é único: leia os links espalhados pelo post com toda atenção, questione, julgue, coloque esse assunto pra ser discutido no dia-a-dia e não tome decisões com base em folhetins de primeira página, pois decisões devem ser tomadas a partir da degustação de diversas informações e não de uma opinião unilateral. Tenham atenção também em outro fator, as fontes e “entidades” formadoras de opiniões (os senhores de engenho) …

“… não torne-se uma marionete inconsciente.”

Sem mais delongas … t+,
raulpereira.

ao som de: “Damaged” – Sevendust

Categoriaspolítica, tralha

acessibilidade, para refletir

25 junho 2007 6 comentários

Créditos: acessodigital.net

Categoriasacessibilidade, IHC, nerd

up and down, up and down!!

13 fevereiro 2007 11 comentários

integrantes do Deftones

Prelúdio

Tudo começou no rock’n rio 3, último dia do evento, foi “paixão à primeiro ouvido”, onde tive o privilégio de escutar/ver/presenciar uma das bandas que mais curto desde então. Quando perguntam-me sobre as particularidades da banda, logo imagino todos os sabores que o rock pode oferecer de satisfatório. Vai desde o peso maciço e agressivo até o melódico, uma mistura composta pelos seguintes ingredientes: uma guitarra (Stephen Carpenter) com grande influência metal, uma bateria (Abe Cunningham) e baixo (Chi Cheng) com forte tendência hip hop, mixagens/sumpler/keyboard (Frank Delgado) que traz elementos eletrônicos à fórmula e por fim, para dar liga, o vocal preciso/suave/esquizofrênico de Chino Moreno. Devo, é claro, enfatizar que o dia em si (show do rock’n rio) não ajudou a banda/público, fruto da histórica e péssima organização da programação do evento, não somente tive a sensação mas foi claro e evidente que fui umas das raras pessoas que estavam ali curtindo o show.

O tempo passou e a banda sofreu fortes turbulências, quase ocasionando o fim ou a volta sem a presença do vocalista (seria como o retorno do gun’s sem Slash, ou rage sem Zack), que me fizeram perder a crença de que um dia iria poder vê-los novamente com ouvidos “desvirginados”, calejados e aguçados para notar as sutilezas sonoras produzidas por eles. Até que surgi, em meados de dezembro de 2006, o inesperado anúncio:

“Deftones: Apresentação no Brasil em Fevereiro”

imagem da cidade de São Paulo

Turnê “Saturday Nigth Wrist” – 10.02.07/22h – Via Funchal – SP

Os meses correram e tudo foi tomando forma, aos troncos e barrancos, primeiro estava tomado por uma euforia incontrolável, depois o desejo de partilhar a notícia, depois querer ter o ingresso o quanto antes, mesmo sem saber se poderia ir realmente ou não, sozinho ou acompanhado e foi dessa maneira, em meio a vários contratempos, que toda a malha foi sendo tecida. É claro que parte de tudo isso somente aconteceu por causa de dois amigos, Thiago e Bruno, que resolveram partilhar essa aventura rumo ao desconhecido.

imagem do show do Deftones

Desconhecida na verdade, desconhecida cidade de São Paulo, que de maneira bem discreta conhecemos parte de seus hábitos, sabores e tudo mais. Eu particularmente tive a nítida sensação de estar na Gotham City dos quadrinhos, uma cidade fria e cinza, com pessoas frias e cinzas, pessoas que cultivam mais a cultura, possivelmente porque não provê de muita beleza natural como no Rio (será que isso vai durar muito tempo?!), conhecemos alguns bairros, localidades, o sistema de transporte e a segurança (toda infraestrutura da um banho no Rio).

imagem do show do Deftones

Tudo, obviamente, foi feito com a cabeça em um único espaço/tempo, que não pode ser descrito em muitas palavras, não para um fã, que ficou muito emocionado ao escutar as primeiras microfonias/timbres/tons de uma canção ainda não identificada que estaria por vir. Tenho certeza que meus confrades tiveram uma emoção bem próxima, senão foi igual ou maior, pois o sorriso estava estampado no rosto a todo instante, acompanhando uma platéia basicamente composta de fãs enlouquecidos e sedentos, cantando tudo em um sonoro coro, palmas, palmas, muitas palmas!! Pogo, pogo, muitas rodas de pogo, enormes rodas de pogo!! Saudava, reverenciava, curtia o bom e velho, mas nada desatualizado, DEFTONES, que nos presenteou com um setlist matador.

imagem do show do Deftones

Segue abaixo um trecho do show (root, executada no primeiro bis), de um show que durou aproximadamente 1 hora e 45 minutos de muita alegria, satisfação e subseqüente saudade.

[]‘s a todos (Thiago e Bruno, agora é INCUBUS!!) … t+,
raulpereira.

ao som de: “Light My Fire” – The Doors

Categoriascultura, música, resenha, show

web-censura, será??

9 janeiro 2007 16 comentários

web-censura

A censura sempre fez, faz e fará parte do histórico tupiniquim, afetando toda e qualquer mídia que existiu, existe ou existirá. Tal fato, reflete diretamente na internet, que cedo ou tarde receberia sua devida atenção, como é constatado ultimamente:

  1. censura nos blogs / mais sobre.
  2. censura no mercado livre / mais sobre.
  3. censura do youTube / mais sobre / e mais.
  4. censura no orkut.

Após ler, reler, pensar, repensar, construir e reconstruir opiniões sobre estas notícias, o que fica onipresente em minha cabeça é a seguinte frase:

“toda ação gera uma reação correspondente”

E olha que não gostava tanto de física quando moleque, mas esta frase faz todo sentido pra mim atualmente. Sobre censura, especificamente, constato que a justiça logicamente vai estimular muita gente a cometer o “ilícito” e a pergunta que fica é a seguinte:

“quem ganha com isso?!”

A minoria apenas, como por exemplo: Os provedores que vão continuar ganhando tubos e tubos de dinheiro pelo serviço precário que oferecem e gastando muito menos em infraestrutura com a diminuição de conexão de banda para o exterior. As celebridades que estarão em evidência após cada repercussão bombásticas. Mais todo e qualquer entidade que esteja no poder, que se vangloriará por estar disciplinando a mídia não especializada e sendo acolhido no colo da mídia especializada, que somente pune quem lhe interessa.

“mas e você o que ganha?!”

Ganha motivo suficiente para debater, conversar, escutar, boicotar, trocar (idéias, dados, informação, etc), pesquisar, usar e abusar dos meios que dispõe, lutar sempre contra a maré. Podemos navegar nessa atual web-censurada e encontrar muitas opiniões relevantes, contundentes, questionadoras, revoltadas, engraçadas, ásperas e uma infinidade de tutoriais instrutivos sobre como ficar “des-censurado”.

Por fim, vamos ficar em alerta e aos poucos criar mais e mais maneiras de comunicação/troca, gerar mais e mais informação, pois essa é a grande riqueza que temos e que censura nenhuma conseguiu barrar aqui e em nenhum lugar do globo. Mesmo que a censura vença alguma batalha, ACREDITE!! É apenas temporário, meu recado final:

“Use a web com o fim que ela foi criada e DIGA NÃO À CENSURA!!”

[]‘s a todos,
raulpereira.

ao som de: “meu teclado” – raulpereira

Categoriaspolítica, tralha
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