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resenha: mesmo delivery – grampá

capa de Mesmo Delivery

Com grande prazer tenho em mãos Mesmo Delivery, primeira Graphic Novel solo da carreira de Rafael Grampá, primeira de muitas, assim espero.

R. Grampá esta na batuta desde pequeno () e este ano foi consagrado, surpreendentemente (), com o prêmio máximo dos quadrinhos, o Eisner Awards 2008 na categoria antologia (), para a revista independente chamada 5, fruto da união com Becky Coonan, Gabriel Bá, Fábio Moon e Vasilis Lolos. Possuidor de um traço extremamente detalhista e inebriante (), esta trabalhando como designer de produção para um filme baseado na Graphic Novel O Dobro de 5 de Lourenço Mutarelli, mesmo autor de O Cheiro do Ralo (ou seja, vem coisa boa por ai).

Mesmo Delivery (MD) é basicamente um quadrinho carregado de violência, com muita referências cult, que segundo o autor, foi baseado nas obras do cineasta italiano Sérgio Leone e longa-metragens japoneses da década de 70 (fontes que Quentin Tarantino já bebeu muitas e muitas vezes), tudo permeado com momentos/experiências de sua infância.

A narrativa tem como foco a linguagem visual, deixando os recursos textuais no limiar do essencial, o que não prejudica nada a compreensão da história. O produto gerado é rico em experimentalismo visual, muitas seqüências de quadros (à lá storyboard) e apesar da história não ser tão inovadora, o resultado final é um paradoxo de surpresas, recheadas de perguntas: “Como uma história não inovadora pode surpreender?”, “Como pode algo não inovador deixar um gosto de quero mais no final?”. MD oferece exatamente esse gosto no final, um gosto prazeroso de quero mais e um pesar de já ter acabado a viagem no mundo imaginário criado pelo autor, uma obra-prima.

Outro ponto forte que não posso deixar de ressaltar na obra é a carga dramática que cada personagem possui na história, mesmo que esta seja narrada com poucas palavras, a momentos que somos capturados pela história e participamos do diálogo torcendo por um personagem A ou B. Este é, sem dúvida alguma, um golaço marcado pelo diálogo formado entre o leitor e o HQ através de uma leitura focada excessivamente no visual.

Para finalizar, em entrevista recente () Grampá confirmou a venda dos direitos de MD para o produtor Rodrigo Teixeira (mesmo de O Cheiro do Ralo), prometendo ser uma adaptação que continuará com a história do quadrinho, é esperar para ver. Vida longa ao quadrinho nacional!!!!🙂

Abraço a todos … t+,
raulpereira.

ao som de: “Deathrider” – Anthrax

Categorias:cultura, quadrinhos, resenha
  1. 20 outubro 2008 às 7:05 am

    Salve!
    Raul, valeu pela dica.
    É realmente muito bom e surpreendente o “Mesmo Deliverey”.
    Sem contar que existem ali várias referências à própria arte de Grampá. O que só enriquece o trabalho do cara.
    Tudo bem que a violência extrema de algumas cenas chega mesmo a impressionar, mas o estranhamento é realçado, no bom sentido, pelos ângulos inexperados e imagens primorosas que o cara consegue.
    Muito bom.
    t+!

  2. 20 outubro 2008 às 9:49 am

    Salve!

    Sabia que iria gostar, como
    disse: Uma obra prima!!

    t+ camarada,
    raulpereira.

  3. graphicmovie
    23 outubro 2008 às 6:02 pm

    então cara. haha

    achei o desenho e a utilização da linguagem(em termos de narrativa) animal.
    o cara é foda. foda mesmo.

    fora que a cor e a paleta são muito boas.

    Mas a história é bem fraquinha.
    Curta demais e sem grandes surpresas.
    sei lá. achei tão obvia que não sabia se tinha entendido.

    acho que o gosto de quero mais se deve a falta de alguma coisa. Não é muito uma qualidade do quadrinho.

  4. 23 outubro 2008 às 9:50 pm

    Olá graphicmovie,

    Como falou (animal), e relatei na resenha, toda a linguagem visual utilizada é de deixar o queixo cair. Desde os primeiros quadros, fica evidente pra mim que a narrativa textual não é o foco e daí vem o maior ponto positivo do quadrinho. Uma história simples, sim, com um contexto já manjado, sim, porém qual história hoje em dia já não é manjada faz tempo? Toda história que se “cria” no fundo é apenas um novo ponto de vista do que já foi dito, ponto para a revista que cumpre o seu papel de narrar o mesmo com uma bem sucedida abordagem visual.

    O “gosto de quero mais” foi proposital, procurando/lendo entrevistas de Grampá sobre o lançamento desta revista, ele relata que tinha a intenção de deixar esse sentimento no leitor, pois isso era uma das coisas que ele mais gostava de sentir em sua infância ao ler gibis.

    Valeu camarada … volte sempre!!
    raulpereira.

  5. graphicmovie
    24 outubro 2008 às 11:46 am

    Po eu ainda consigo achar coisas interessantes, cara.
    acho que essa coisa do ponto de vista é um pouco comodismo.
    o jeito de contar a história pode muda-la completamente.

    Mas eu não entendi essa proposta dele então.
    Porque a trama da história se fecha, não tem um gancho pra depois.
    a não ser o assassinato do caminhoneiro.
    mas não sei. não é forte o bastante.
    eu acho que quem faz isso bem hoje em dia, é o Mike Mignola no Hellboy.

    de qualquer forma, eu acho que o Grampá devia trabalhar com um roteirista, pra não desperdiçar o talento visual enorme que ele tem.
    e assim, um roteirista que dê a liberdade pra ele criar a composição, os quadros , ordem e angulos etc… não um roteirista de quadrinhos. um roteirista pra dar um gás na trama.

    mas eu curti. valeu a pena comprar.

  6. 24 outubro 2008 às 1:20 pm

    Graphicmovie, realmente vale muito a pena!!

    Serve como um incentivo a indústria de quadrinhos nacional, que infelizmente sobrevive a mercê de editoras caça-niqueis, verdadeiros investidores que olham apenas para o produto interno como um artefato infanto-juvenil (salvo raras exceções), alimentando-se de produto extrangeiro, apesar de existir tanto produto inexplorado em nossa terra virgem. Que esses fatos sirvam como uma lufada no estômago desta indústria, e que artistas como: R.Grampá, Fábio Moon, Gabriel Bá, Lourenço Mutarelli, Angeli, Laerte, Andre Dahmer, Galvão e tantos outros bandeirantes órfãos, tenham o seu valor reconhecido em nossa nação.

    Valeu camarada … t+,
    raulpereira.

  7. 13 janeiro 2009 às 10:48 pm

    Te convido para o especial Sandman 20 Anos do ambrosia.com.br já que vi que curte a série tempos atrás, abs
    Camino

  8. 27 abril 2009 às 4:51 pm

    Fiquei interessado. Vou catar a revista. O blog do cara é mó barato também.

    Eu li o Dobro de Cinco. Sujo, feio, muito bom.

    Abração

  9. 27 abril 2009 às 11:11 pm

    Diga lá aldo,

    Eu tenho a revista, se quiser lhe empresto …😉 … essa dobro de cinco que comentou, você tem? Rola um escambo??

    raulpereira.

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